O compromisso do Sebrae/PR assumido durante a Feira do Empreendedor de Cascavel, realizada em 2025, de promover ações de compensação de carbono na região, teve a parte relativa ao plantio de árvores concretizada na última sexta-feira (19). Ao todo, foram plantadas 90 mudas de açaí-juçara em uma propriedade rural de Santa Lúcia, no Oeste do Paraná, ação que alia compensação ambiental, preservação de espécies nativas e apoio aos produtores rurais da região.
A iniciativa integra o inventário de emissões de carbono elaborado para a Feira do Empreendedor e reforça a estratégia de sustentabilidade adotada pelo Sebrae/PR antes, durante e após a realização do evento.
A propriedade escolhida para receber as mudas foi o Recanto Freira, localizado no município de Santa Lúcia, a 61 quilômetros de Cascavel. Ela integra o Projeto Frutos do Iguaçu.
O inventário elaborado para a Feira do Empreendedor de Cascavel considerou tanto as emissões exclusivas quanto as não exclusivas de carbono. As emissões exclusivas são aquelas que ocorrem unicamente em função da realização do evento, como deslocamentos, aquisição de bens e serviços, consumo de energia e geração de resíduos. Já as emissões não exclusivas são aquelas relacionadas ao evento, mas que não seriam necessariamente evitadas caso ele não ocorresse, como hospedagem e geração de efluentes.
Em 2025, a Feira do Empreendedor Sebrae foi responsável pela emissão total de 47,26 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e). Desse total, 56% das emissões inventariadas foram classificadas como de natureza exclusiva, enquanto 2,44% corresponderam a emissões de natureza não exclusiva.
O consultor do Sebrae/PR, Gustavo Acosta, explica de que forma a ação conclui o compromisso firmado com a sustentabilidade.
“As ações foram alinhadas com o nosso compromisso, que é não somente apoiar o desenvolvimento dos pequenos negócios, mas também cuidar do meio ambiente. Para isso, adotamos práticas sustentáveis, além da realização do inventário de emissões de gases de efeito estufa, que permitiu identificar e quantificar os impactos gerados pelo evento”, explica Gustavo.

Mesmo com as medidas adotadas para minimizar os impactos ambientais, existe uma parcela residual de emissões que não pode ser totalmente eliminada. O plantio das mudas simboliza justamente o compromisso de compensar esse impacto, contribuindo para a captura de carbono da atmosfera e para a geração de benefícios ambientais de longo prazo.
Para o servidor do ICMBio no Parque Nacional do Iguaçu, Ivan Baptiston, a responsabilidade socioambiental se fortalece com iniciativas como a do Sebrae/PR.
“Ações como essa mostram que a conservação da biodiversidade também passa pelas escolhas feitas fora dos limites da unidade de conservação. Quando diferentes instituições se unem em torno da restauração e do plantio de espécies nativas, fortalecemos uma cultura de responsabilidade compartilhada com o território e com o futuro da Mata Atlântica”, comenta Ivan.
Frutos do Iguaçu
O Projeto Frutos do Iguaçu surgiu a partir da articulação de diferentes instituições e idealizadores que buscavam viabilizar o uso de frutas nativas da Mata Atlântica em produtos regionais, superando um dos principais desafios enfrentados pelo setor: a falta de fornecimento regular por produtores locais.
Cristina Muggiati, uma das idealizadoras do projeto, conta que a iniciativa surgiu para valorizar os pequenos produtores de agrofloresta e ampliar o uso de frutas nativas em produtos regionais. Além de gerar renda, a proposta incentiva o cultivo de espécies da Mata Atlântica e contribui para a preservação da biodiversidade.
“A proposta é fechar o ciclo da sustentabilidade do meu produto, devolvendo para a natureza as sementes resultantes do processamento das frutas nativas já transformadas em mudas. Havia percebido que o resíduo a ser descartado, no caso as sementes, era uma grande riqueza que tinha nas mãos, uma vez que essas plantas estavam em processo de extinção”, conta Cristina.

Financiada com recursos do contrato de concessão da Urbia Cataratas, por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a iniciativa tem como foco o mapeamento, o incentivo ao cultivo e a estruturação da cadeia produtiva de espécies nativas em municípios lindeiros ao Parque Nacional do Iguaçu.
Marcelo Limont, coordenador do Projeto Frutos do Iguaçu, destaca que, além de contribuir para o cumprimento do inventário de carbono, a ação também fortalece os pequenos produtores rurais da região e impulsiona o desenvolvimento econômico local.
“O Projeto Frutos do Iguaçu demonstra que conservação de florestas e desenvolvimento local podem caminhar juntos. Ao valorizar cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade, a iniciativa contribui para gerar renda complementar ao produtor rural, fortalecer o diálogo com pessoas que vivenciam o entorno do Parque”, testemunha Marcelo.
Hoje, o Projeto Frutos do Iguaçu é composto por 50 produtores rurais, sendo 23 com áreas de plantio. Um deles é Wilson Celestino Freire, o dono da propriedade escolhida para a realização desta ação, ele fala sobre essa parceria que vem rendendo bons frutos.
“Faço parte do Projeto há três anos e a gente só tem a agradecer, porque ajuda o produtor rural. Estou muito contente em poder ajudar também, a atividade rural precisa dessa união de esforços”, afirma o produtor rural.

Compromisso com a sustentabilidade
As ações de compensação de carbono e o plantio de árvores fazem parte de um conjunto de iniciativas de responsabilidade socioambiental estruturadas para a Feira do Empreendedor. Entre as medidas adotadas estão a gestão dos resíduos gerados, a elaboração de um inventário de emissões de carbono, o uso de copos biodegradáveis e uma parceria com o Conselho da Comunidade para a produção de bolsas confeccionadas com lonas recicladas.
As iniciativas foram adotadas com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), com destaque para os ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 12 (Consumo e Produção Responsáveis), 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima), 4 (Educação de Qualidade), 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação).
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