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segunda-feira, 2 de novembro de 2026 Notícias verificáveis. Fontes transparentes.

Notícia

Turismo de observação de baleias impulsiona preservação e economia

Com população de jubartes crescendo de 2 mil para 35 mil, turismo de observação se consolida como ferramenta de preservação e renda em Abrolhos.

Turismo de observação contribui para preservar baleias-jubarte

O turismo de observação de baleias-jubarte tem se consolidado como uma importante ferramenta de preservação ambiental e de geração de renda para comunidades costeiras do Brasil. Em Caravelas (BA), no distrito pesqueiro de Ponta de Areia, Paulo Salomão começou a acompanhar o pai em saídas para o mar aos 6 anos, no início da década de 1980; hoje, ele é dono de quatro embarcações, incluindo uma de grande porte com camas para 50 pessoas, e emprega dez trabalhadores, graças ao crescimento do setor.

Salomão começou a trabalhar com transporte de turistas e mergulho após a criação do Parque Marinho dos Abrolhos, em 1983, que proibiu a pesca na área. Seu primeiro barco foi batizado de Teimoso. “Há uns dez anos, o maior fluxo de pessoas passou a ser em julho e agosto. Hoje só agosto, que é o pico, ganha dos três meses de verão. Todo mundo vem pra ver as baleias”, conta.

Maternidade das jubartes

Abrolhos é uma grande maternidade para as baleias-jubarte, que percorrem cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica até as águas quentes do arquipélago, onde acasalam e têm seus filhotes. O crescimento do turismo de observação só foi possível porque a população de baleias no Brasil subiu de menos de 2 mil indivíduos no início da década de 1990 para cerca de 35 mil, segundo estimativa do Instituto Baleia Jubarte em 2022. Três fatores foram centrais: a proibição da caça em 1987, a criação do Parque Marinho dos Abrolhos e o surgimento de grupos ambientalistas.

Para o diretor executivo do Instituto Baleia Jubarte, Eduardo Camargo, o turismo de observação “agrega valor econômico à baleia viva” e aponta um caminho de convivência com os animais. “Não tem como falar, ‘agora as baleias vão passar, então ninguém vai pro mar nesses meses’. O que precisa é regular isso de uma forma que não seja prejudicial para elas, mas também não ignore que você tem pessoas vivendo ali. É uma forma de criar uma renda limpa, quando ela é bem feita”, defende.

Legislação e capacitação

Os operadores precisam seguir regras da Marinha e do Ministério do Meio Ambiente. Uma portaria publicada em agosto deste ano determina distância mínima de 100 metros dos animais, permanência de no máximo 60 minutos (ou 30 minutos no caso de fêmeas com filhotes) e apenas duas embarcações por vez. É proibido tocar, capturar, perseguir ou cercar as jubartes. O Instituto Baleia Jubarte oferece capacitação aos trabalhadores e algumas localidades implantaram o selo “Amigo da Baleia”.

Experiência que transforma

O turismo também tem feito a população conhecer e se encantar pela espécie. “Ver as baleias é uma experiência que muda as pessoas. Faz, talvez, ela consumir menos plástico, separar melhor seu lixo… E todas essas coisas vão fazer diferença não só pras baleias, mas para todos nós”, acredita Camargo. A mineira Deise Gomes Valente descobriu o turismo pelo noticiário e realizou o sonho: “Quando a primeira baleia apareceu, na hora, o meu olho encheu de água. É uma experiência incrível, ainda mais porque a gente está vendo elas no seu habitat natural”, compara.

O Instituto mantém centros de visitação em Caravelas, Praia do Forte, Itacaré, Vitória e Ilhabela, além de um ponto de observação em Porto Seguro. Para o diretor de pesquisa Milton Marcondes, as baleias têm papel essencial no equilíbrio ambiental: “Quando elas se alimentam na Antártica e defecam aqui, elas estão jogando nutrientes na água, o que aumenta a produtividade de várias espécies, inclusive de peixes de pesqueiro”.

Fonte: Agência Brasil