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Política

ONMP publica NT que analisa o discurso de influenciadores digitais sobre a participação política das mulheres — Portal da Câmara dos Deputados

ONMP publica NT que analisa o discurso de influenciadores digitais sobre a participação política das mulheres — Portal da Câmara dos Deputados

Foi publicada nesta terça-feira (21/07) a Nota Técnica Representações midiáticas sobre a violência política contra mulheres no Brasil de 2022 a 2025: um panorama das publicações de influenciadores políticos no Instagram, de autoria da pesquisadora Letícia Sabbatini. Esta é a terceira NT do projeto Fortalecendo a Participação Política das Mulheres e Combatendo a Violência de Gênero na Era Digital, iniciativa realizada em parceria entre a Câmara dos Deputados, por meio do Observatório Nacional da Mulher na Política (ONMP), e a Delegação da União Europeia no Brasil, no âmbito dos Diálogos União Europeia–Brasil.

No documento, a pesquisadora analisa como influenciadores políticos, tanto conservadores quanto progressistas, enquadram, no Instagram, a participação de mulheres na política. Segundo Sabbatini, o objetivo é “compreender aspectos da relação entre gênero, mídia e política para além dos circuitos jornalísticos tradicionais”.

Temáticas prioritárias

Foram analisadas publicações de 173 influenciadores políticos conservadores e 116 progressistas. Entre eles, estão deputados/deputadas federais, senadores/senadoras, ativistas, figuras políticas sem mandato, jornalistas, religiosos, vereadores/vereadoras, celebridades/artistas, deputados/deputadas estaduais, intelectuais, ministros/ministras do executivo ou judiciário, esportistas, e integrantes dos executivos federal, municipais e estaduais.

Além das informações básicas de identificação, cada publicação foi categorizada quanto ao tema central abordado. Foram incluídos na análise os conteúdos que tratavam diretamente da participação de mulheres na política. As postagens foram categorizadas nos seguintes temas: candidatura e eleição, atuação institucional, ocupação de cargos e liderança, representação simbólica, agenda de gênero, desempenho e legitimidade, e outros temas políticos.

Os dados revelam que a maioria das postagens – 56,4% dos conservadores e 44,9% dos progressistas – fala sobre a atuação institucional das mulheres. Esse predomínio sugere que, mesmo em um ambiente comunicacional mais personalista e opinativo, como as plataformas de mídias sociais, a presença das mulheres segue bastante relacionada às funções e atividades institucionais que exercem no campo político.

Imagens femininas

A pesquisa também observou como as mulheres são retratadas nessas postagens. Foram contabilizados conteúdos nos quais as mulheres aparecem como: articuladoras, aliadas, ativistas, autoridades técnicas, combativas, corruptas e imorais, derrotadas ou enfraquecidas, empáticas, incoerentes, incompetentes, líderes competentes, oponentes, incomuns, polêmicas, resilientes e ponderadas, suspeitas e vitoriosas

A distribuição dos retratos por tipo de perfil indica que “a visibilidade feminina não é apenas uma questão de presença ou protagonismo, mas também de qualidades, atributos e papéis simbólicos que lhes são atribuídos nas narrativas produzidas pelos influenciadores”, como destaca Sabbatini.

Sobre isso, cabe reforçar ainda que diferentemente do que se observa na cobertura jornalística, esses retratos aparecem em um ambiente discursivo mais explicitamente polarizado, no qual a atribuição de qualidades às mulheres reflete os alinhamentos políticos dos perfis que produzem o conteúdo em questão.

Iniciativas da parceria

Iniciado no primeiro semestre de 2025, o projeto tem como objetivo promover o intercâmbio de boas práticas e a produção de conhecimento aplicado sobre gênero, democracia e direitos humanos no contexto das transformações digitais do debate público.

Além da produção das notas técnicas e de um livro digital com orientações para jornalistas e influenciadores digitais, foram realizados dois workshops para comunicadores – online e presencial. A íntegra do workshop online já está disponível aqui.

O projeto também colocou no ar a campanha “Políticas Seguras nas Redes”, com materiais exclusivos para disseminação nas mídias digitais. Acesse a página da campanha e confira todas as postagens que já realizamos.