Cerimônia em Brasília também teve anúncio de novas contratações para levar internet a mais 16,7 mil unidades de ensino
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira, 30 de março, da cerimônia de inauguração simultânea de 107 obras de educação em todo o país. O investimento federal nas construções soma R$ 413,49 milhões, provenientes do Novo PAC e de recursos próprios do Ministério da Educação (MEC). A cerimônia também celebrou a marca de 99 mil escolas com conectividade adequada.
“A educação é essencial. Nós queremos chegar a 100% de escolas conectadas. Queremos chegar a pelo menos inaugurar os 800 institutos federais”, destacou o presidente.
Vamos aproveitar o Escolas Conectadas para fazer com que as coisas aconteçam bem e para que a gente consiga usar a internet para criar um ser humano mais inteligente, mais harmonioso e mais amoroso do que o que nós temos”, completou.
Lula reforçou o compromisso de assegurar que todos possam ter acesso à educação de qualidade. “O que nós conseguimos fazer é garantir para as pessoas que elas têm que ter o direito de participar igual os outros têm. Não importa de onde você veio, não importa a sua cor, não importa a sua altura, não importa a sua crença religiosa, não importa de que estado você é, o que importa é que você é um cidadão brasileiro e uma cidadã brasileira e você tem que ter a chance de disputar a mesma vaga”, declarou.
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O ministro da Educação, Camilo Santana, ressaltou os avanços na área. “Depois de três anos e três meses à frente do MEC, posso dizer que graças à prioridade que o presidente dá à educação nesse país, nós temos uma educação mais fortalecida, com melhores indicadores, mais equidade e mais inclusão. Nós aumentamos os índices de alfabetização das nossas crianças. Saímos de 36% das crianças alfabetizadas na idade certa e chegamos a 66% em 2025”, disse.
ESCOLAS CONECTADAS — Foram apresentados, ainda, os avanços da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), coordenada pelos Ministérios das Comunicações e da Educação. Hoje, 99.005 escolas públicas brasileiras contam com conectividade adequada para uso pedagógico, o que representa 71,7% das unidades do país e beneficia 24 milhões de estudantes. Em 2023, esse percentual era de 45,4%.
Durante o evento, o Ministério das Comunicações anunciou a contratação de serviços de conectividade para mais 16,7 mil escolas em todo o país, medida que permitirá universalizar o acesso à internet nas unidades de ensino da educação básica ainda não conectadas até o fim de 2026.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, reforçou que o programa Escolas Conectadas tem a missão de garantir acesso à internet de qualidade para cada aluno brasileiro que estuda em escola pública. “Por meio dele, não queremos transformar apenas o presente desses meninos e meninas, mas redefinir o futuro do nosso país. Levar a internet às escolas é levar o mundo inteiro de aprendizado para dentro da sala de aula. Não deixaremos ninguém para trás. Conectando as escolas públicas, o governo do Brasil garante que milhões de crianças e jovens tenham a mesma oportunidade de aprendizado, independente da sua origem ou da renda de suas famílias”, afirmou.
18 novas creches. 23 escolas de tempo integral. 3 novos campi de Institutos Federais. Ampliações e melhorias em restaurantes estudantis, bibliotecas, laboratórios, residências universitárias e blocos de salas de aula.
Entregamos hoje 107 obras de educação em todo o país.… pic.twitter.com/qJ0jA7nUaT
— Lula (@LulaOficial) March 30, 2026
TRANSFORMAÇÃO — Dirceu Gonçalves, diretor da Escola São Judas Tadeu, localizada em Manaus (AM), participou virtualmente do evento e apontou que a conexão mudou muito a rotina escolar. “O professor consegue fazer as suas formações, qualificar-se, preparar melhor o seu material de trabalho. Os nossos alunos conseguem, em tempo real, conhecer o mundo externo. Nós estamos na região amazônica, na área rural de Manaus, então nós ficávamos isolados. E a internet trouxe qualidade ao processo educacional”, disse.
A aluna amazonense Dayana, que estuda coreano uma vez por semana, relatou o avanço no seu aprendizado: “Agora, como eu posso estudar coreano, a professora pode estar lá em São Paulo e nós podemos nos conectar com ela. Eu posso acessar a plataforma, estudar aqui na escola, posso fazer pesquisas que o professor passa. É muito bom, temos jogos educativos e fica mais prático de aprender”.
SERVIÇO PÚBLICO — No evento, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, destacou as mudanças que o governo tem feito para promover melhorias no setor público. “A gente unificou, nessa carreira de analista técnico no Poder Executivo, eram 70 cargos isolados que passaram a ser de uma única carreira com um cargo amplo, que pode ter especialidades. Então, com isso, a gente está preparando o Serviço Público Federal para o futuro”, declarou.
ENTREGAS — Atualmente, o Brasil conta com um total de 9,7 mil obras de educação, sendo 7,1 mil em andamento e 2,6 mil concluídas. As entregas desta segunda-feira abrangem desde creches, escolas da educação básica e campi de institutos federais, até reformas em universidades e hospitais universitários, reforçando o compromisso do Governo do Brasil com a ampliação do acesso à educação pública de qualidade e com a melhoria da infraestrutura educacional.
Foram entregues 44 novas estruturas, sendo 18 creches, 23 escolas e três novos campi de institutos federais. As demais 63 obras correspondem a ampliações e melhorias em unidades já existentes, como restaurantes estudantis, bibliotecas, laboratórios, residências universitárias e blocos de salas de aula.
EDUCAÇÃO BÁSICA — Na educação básica, foram entregues 41 novas unidades, sendo 18 creches e 23 escolas de tempo integral, distribuídas em 16 estados e quatro regiões do país. Na Região Norte, foram inauguradas nove unidades escolares nos estados do Acre, Amazonas, Pará e Tocantins. Já o Nordeste concentra 22 entregas, com obras em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. No Sudeste, três escolas foram entregues em Minas Gerais. A Região Sul recebeu sete novas unidades, distribuídas entre Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os investimentos nessa etapa somam R$ 111,8 milhões, com R$ 12,7 milhões de recursos provenientes do Novo PAC.
Também foram entregues 27 restaurantes estudantis, duas sedes próprias de Reitoria e uma sede própria de campus, além de bibliotecas, blocos pedagógicos e administrativos, quadra esportiva e clínica veterinária, todas contempladas na ação de consolidação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que prevê investimento de R$1,4 bilhão para melhoria e ampliação da infraestrutura das unidades existentes. As obras entregues representam investimento de R$ 256,4 milhões.
EDUCAÇÃO SUPERIOR — Na educação superior, foram inauguradas 10 obras em nove universidades federais, distribuídas em nove estados das cinco regiões brasileiras. As entregas incluem blocos acadêmicos e administrativos, laboratórios, residências estudantis, restaurante universitário e obras de urbanização de campus, ampliando a capacidade de ensino, pesquisa, extensão e inovação nas instituições federais. O investimento nessa etapa totaliza R$ 95 milhões, sendo R$ 32,4 milhões oriundos do Novo PAC.
HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS — Também foram inauguradas 13 obras em 10 hospitais universitários federais, com ampliação da capacidade assistencial e de formação em saúde. As intervenções incluem novos leitos de UTI neonatal, enfermarias, ampliação de serviços obstétricos, modernização de infraestrutura elétrica e adequações para instalação de equipamentos de radioterapia, fundamentais para o tratamento do câncer. As obras estão distribuídas em oito estados e quatro regiões do país, com investimento de R$ 76,7 milhões, sendo R$ 23,6 milhões provenientes do Novo PAC e R$ 37,5 milhões de orçamento conjunto ao Ministério da Saúde.
CONEXÃO — Os avanços da Enec incluem melhorias em três dimensões estruturantes: energia elétrica: 136.525 escolas com infraestrutura adequada (98,9% do total); velocidade de internet: 102.338 escolas com conexão adequada (74,1% do total); Wi-Fi nas escolas: 101.559 unidades com cobertura adequada para uso pedagógico (73,5% do total).
Os resultados também mostram avanços significativos em territórios historicamente desafiadores. Na Região Norte, o número de escolas com conectividade adequada passou de 4.803 em 2023 para 12.714, atualmente (62,5%). Nas escolas rurais, o total saltou de 17.367 para 34.913 unidades (69,7%). A política também ampliou o acesso em comunidades tradicionais: em 2026, 1.815 escolas indígenas e 1.971 escolas quilombolas atendem aos parâmetros de conectividade definidos nacionalmente representando 72,5% das escolas localizadas em comunidades quilombolas.
A estratégia prevê R$ 8,8 bilhões de aportes, sendo R$ 6,5 bilhões provenientes do Novo PAC, dos quais R$ 2,6 bilhões já foram executados. Lançada em 2023 para universalizar a conectividade de internet nas escolas públicas, a partir de critérios de qualidade monitorados permanente pelo Indicador Nacional de Escolas Conectadas (INEC), a política também tem como dimensão estrutural o desenvolvimento de competências digitais a toda a comunidade escolar.
Mais que infraestrutura, a estratégia também avança na dimensão pedagógica, promovendo a educação digital e midiática nos currículos e o uso responsável das tecnologias nas escolas. Já são 20 estados com currículos atualizados trabalhando o tema, formação de professores nos saberes digitais a partir de ferramenta diagnóstica que já conta com 180 mil respostas e 82 cursos disponíveis nos eixos temáticos que somam mais de 471 mil certificados. O MEC tem apoiado diretamente mais de 4700 redes municipais e estaduais, além da oferta de recursos educacionais digitais e dos primeiros livros didáticos da área no ensino médio. Para garantir um uso equilibrado, crítico e seguro, a política também inclui orientações sobre o uso de celulares nas escolas e novas diretrizes para o uso ético da inteligência artificial na educação.
Essa atuação integrada reafirma o compromisso do Governo do Brasil em transformar a tecnologia em oportunidade, garantindo aprendizagem, equidade e inclusão digital para todos os estudantes.

