# Urbanização em favelas quase triplica e vegetação cai em 40 anos

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- Published: 2026-11-04T11:33:24-03:00
- Author: Redação

A área urbanizada em favelas e comunidades no Brasil passou de 60,2 mil hectares
para 151,7 mil hectares entre os anos de 1985 e 2025. No mesmo período, a vegetação
existente em cada hectare urbanizado nas comunidades caiu de 0,060 para 0,040. Os
dados são de um novo recorte da Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da
terra no Brasil do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (4).

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Segundo o levantamento, embora as pessoas associem favelas com áreas urbanas, nem
todas são caracterizadas dessa forma, por não terem alta concentração de edificação,
vias de circulação e infraestrutura.

## Verde perdido e exposição climática

Para Júlio Cesar Pedrassoli, coordenador do tema Urbano, o estudo demonstra que 
o encolhimento das áreas verdes em favelas as torna mais suscetíveis aos eventos
climáticos adversos. “Para adaptar as cidades às mudanças climáticas, precisamos
olhar para onde o verde se perdeu e onde os territórios ficam mais expostos, e esse
mapa precisa incluir as favelas”, diz.

Em 1985, as favelas tinham 43% mais vegetação intraurbana do que as demais áreas
urbanas do país. Em 2025, a situação se inverteu e a disponibilidade de vegetação
intraurbana nas favelas era 15% menor do que nas demais áreas urbanizadas. No período
de 40 anos, a vegetação intraurbana nas favelas cresceu apenas 1,7 vezes, enquanto
nas áreas urbanizadas fora delas aumentou 2,6 vezes.

Também cresceram 2,6 vezes as áreas urbanizadas sem vegetação nas favelas, enquanto
nas áreas urbanizadas fora das favelas o crescimento de locais sem vegetação foi
menor, com aumento de 2,3 vezes. Em 2025, havia 12,3 mil favelas no país, distribuídas
em 651 municípios, sendo que 60,3% da urbanização existente nesses locais surgiram
após 1985 e, nesse período de 40 anos, 42,4% pelo menos dobraram de tamanho.

## Crescimento urbano e perda de vegetação

O crescimento das áreas urbanizadas no território nacional foi de 132% no período,
quando passou de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares, somando mais de 2,5 milhões
de hectares. Já a participação das favelas em áreas urbanizadas no país cresceu 
pouco, passando de 3,2%, em 1985, para 3,4% em 2025.

Apesar do crescimento das áreas urbanizadas, a vegetação urbana total, que reúne
a vegetação intraurbana e a periurbana – localizada nos arredores –, diminuiu de
6,5 milhões para 4,1 milhões de hectares, o equivalente a uma redução de 35,9%. 
Com a queda, a área sem vegetação nas regiões urbanizadas do país chegou, em 2025,
a 4,24 milhões de hectares.

O estudo cruza ainda esses dados com a temperatura em áreas urbanizadas, que apontam
intensidades média maior nas ilhas de calor em áreas com menos de 10% de cobertura
vegetal. Nesses locais, o verão pode ser até 7 °C mais quente que em áreas não urbanizadas
com cobertura verde.

Para Pedrassoli, esse número trazem uma reflexão sobre resiliência climática, soluções
baseadas na natureza e qualidade de vida urbana. “Pela primeira vez na série, a 
área urbanizada sem vegetação supera a área da vegetação urbana. Em 1985, a vegetação
era 3,5 vezes maior que a área sem vegetação. É um marco que mostra o quanto o desenho
das nossas cidades depende do quanto de verde conseguimos preservar e, ao mesmo 
tempo, incorporar na mancha urbana”, conclui.

Fonte: [Agência Brasil](https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-11/urbanizacao-em-favelas-quase-triplicou-e-vegetacao-diminuiu-em-40-anos).
