# TSE segue MP Eleitoral e julga improcedentes ações que pedem cassação e inelegibilidade do presidente Lula

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- Published: 2023-10-19T21:31:51-03:00
- Author: fkjoeamy

Eleitoral

19 de Outubro de 2023 às 20h35

## TSE segue MP Eleitoral e julga improcedentes ações que pedem cassação e inelegibilidade do presidente Lula

Para vice-PGE, não ficou configurado uso indevido dos meios de comunicação, nem 
houve impacto no equilíbrio da disputa presidencial de 2022

 Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

Acolhendo pareceres do Ministério Público Eleitoral, o Plenário do Tribunal Superior
Eleitoral rejeitou, por unanimidade, duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral(
Aijes) contra o atual presidente da República e então candidato ao cargo nas eleições
de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva, e o seu vice na chapa, Geraldo Alckmin. Eles
foram acusados de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação
e impulsionamento ilícito de propaganda no último pleito. Os acórdãos foram proferidos
nesta quinta-feira (19).

As ações foram ajuizadas pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e pela coligação
Pelo Bem do Brasil, formada pelos partidos Republicanos (PR), Progressistas (PP)
e Liberal (PL). Em uma das Aijes, os autores destacavam que Lula concedeu entrevistas
à imprensa no dia das eleições do primeiro turno, durante o período de votação e
logo após o encerramento da votação, com amplo período de duração. A acusação sustentou
que o material foi amplamente divulgado por redes de TV e em redes sociais, o que
configuraria uso indevido dos meios de comunicação, já que a legislação eleitoral
proíbe a propaganda eleitoral por radiodifusão desde as 48 horas anteriores à eleição
e até 24 horas depois.

Durante a sessão, o vice-procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, reiterou posicionamento
já defendido em parecer enviado à Corte pela improcedência da ação. Para ele, não
houve propaganda eleitoral vedada, pedido de votos durante a entrevista, publicidade
e nem outro elemento que configurasse gravidade da ação. Além disso, as condutas
apontadas como irregulares não produziram impactos que pudessem afetar a legitimidade
do pleito.  “Buscado por jornalista, o candidato relembrou fase crucial da sua vida
que tornou aquele instante do voto especialmente marcante para ele. As palavras 
genéricas sobre como pretendia que o futuro fosse nada têm de especificidade. É 
relevante também notar que não houve pedido voto”, frisou.

O vice-PGE também destacou que o fato de o pronunciamento ter sido propagado por
vários meios de comunicação não é suficiente para que se cogite abuso dos meios 
de comunicação. “Jair Bolsonaro também foi abordado pela imprensa para se exprimir.
O interesse da mídia de ouvir os candidatos, levando à divulgação das suas palavras,
não configura quadro de conduta abusiva. O evento político mais relevante do ano
há de atrair o interesse jornalístico em tudo o que lhe diga respeito”, ressaltou.

**Impulsionamento de propaganda –** A outra ação julgada como improcedente acusava
os candidatos de haverem realizado gastos com impulsionamento ilícito de propaganda
eleitoral, por meio da ferramenta Google Ads, com o objetivo de dissimular a verdade
dos fatos. Segundo os autores, ao buscar na plataforma informações sobre as condenações
sofridas por Lula, os usuários recebiam, em primeiro plano, matérias positivas sobre
o candidato. A ação aponta uso desvirtuado da ferramenta e prática de desinformação.

Ao se pronunciar, Paulo Gonet defendeu a improcedência da ação por não identificar
elementos que demonstrassem alteração no padrão de funcionamento da ferramenta Google
Ads, ocultação de páginas por conveniência eleitoral, conteúdo destinado a disseminar
fake news ou alguma outra prova que comprovasse a suposta manipulação do eleitorado.“
Não se deduz do que consta dos autos o elemento da gravidade das circunstâncias,
necessário para o êxito da ação proposta”, reforçou. O vice-PGE também mencionou
que o próprio TSE reconhece a licitude da propaganda paga nesse tipo de ferramenta.

O relator dos dois casos, ministro Benedito Gonçalves, acatou as argumentações do
MP Eleitoral. Ele foi seguido pelos demais ministros da Corte. O presidente do TSE,
ministro Alexandre de Moraes, destacou que, nas eleições do próximo ano, é importante
haver uma maior regulamentação em relação ao impulsionamento de propagandas para
que os eleitores, ao realizarem pesquisas nos meios digitais, sejam direcionados
para o conteúdo pesquisado e não para outros dados. Ele também citou que precisa
ser melhor monitorado e combatido o impulsionamento para levar a fatos negativos
sobre candidatos.
