# Subnotificados, casos de Oropouche atingem 2% da população brasileira

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- Published: 2026-03-24T10:04:00-03:00
- Author: Redação

**Dados sobre a Febre do Oropouche divulgados nesta terça-feira (24) indicam que
a incidência real da doença é muito superior às ocorrências notificados, com até
200 casos reais para cada episódio conhecido.**

**Entre 1960 e 2025 a doença já infectou 9,4 milhões de pessoas na América Latina
e no Caribe, das quais ao menos 5,5 milhões no Brasil.**

A febre do Oropouche é transmitida aos humanos pela picada de mosquitos do tipo 
Culicoides paraensis, conhecido na Região Norte como maruim ou mosquito-pólvora.

Os dados foram reunidos por um consórcio de pesquisadores da University of Kentucky,
Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas e Fundação Hospitalar
de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).

> “[A doença] tem um ciclo silvestre muito bem esclarecido e, mais recentemente,
> a gente tem observado ciclos urbanos nas capitais, o que era pouco comum até pouco
> tempo”, explicou o diretor de Operações do Instituto Todos pela Saúde, Vanderson
> Sampaio.

**Ele acrescentou que, pelo fato de a maior parte da população ainda não ter contato
com a doença, é provável que ela possa avançar. **

“Não sabemos ainda qual a quantidade de casos graves dessa doença nem condições 
de saber agora, pois temos um número muito baixo de casos registrados.”

Para investigar a existência de antígenos, como indicativo de que as pessoas tiveram
contato com a doença, foram investigados dados sorológicos em amostras sangue coletadas
em três momentos distintos (novembro de 2023, junho de 2024 e novembro de 2024).

Com o resultado foi possível afirmar que o alcance do surto de 2023 para 2024 foi
semelhante ao do surto anterior no estado, em 1980-1981. Em ambos, o alcance em 
Manaus foi de cerca de 12,5%, chegando próximo de 15% no estado.

## Surtos

O estudo revisou ainda os registros de surtos da doença, encontrando 32 deles desde
a identificação da febre, em 1955, no Brasil, Peru, Guiana Francesa e Panamá. Somente
no Brasil foram identificados 19 surtos. 

> “É possível sim a gente desenvolver técnicas de rastreio. Uma delas é a de vigilância
> de síndromes febris, analisando amostras dos pacientes a partir de análise genética”,
> destacou o especialista.

**Manaus é o principal centro da região amazônica na dispersão da doença. Com sua
população na casa de 2 milhões de pessoas e grande conexão, inclusive aérea, com
outras cidades, age como um polo de dispersão, determinante para a expansão da doença
para outros centros, como Espírito Santo e Rio de Janeiro, bastante impactados em
2024. **

Segundo o estudo, a diferença entre casos confirmados e número real de infecções
pode ser explicada pelo acesso limitado a serviços de saúde na bacia amazônica e
pela provável alta proporção de casos assintomáticos ou leves, que os pesquisadores
estimam que possa ser a grande maioria dos casos da doença, uma característica até
então sem evidências claras.

Nesta década foram registrados mais de 30 mil casos, com o avanço de uma variante
do vírus por toda a América Latina e Caribe, dado que segundo o estudo indica uma
subnotificação notável de todos os serviços de saúde da região.

A infecção pode provocar um quadro febril semelhante ao da dengue e outras arboviroses,
o que dificulta ainda mais a identificação e tratamento corretos. Os casos graves,
geralmente aqueles que são corretamente diagnosticados, podem evoluir para doença
neurológica, complicações materno-fetais e morte.

## Tratamento

**Atualmente, não existem vacinas licenciadas nem antivirais específicos disponíveis,
embora haja estudos nesta década sobre a eficácia de acridonas (moléculas isoladas
a partir de um tipo de alcatrão) na doença, como o da pesquisadora Clarita Avilla,
da Unesp de São José do Rio Preto.**

Segundo a pesquisa, anticorpos adquiridos há décadas ainda são capazes de neutralizar
a cepa recente do vírus, o que sugere imunidade de longa duração. Ainda assim, os
pesquisadores alertam que, sem intervenções específicas, novos surtos continuarão
ocorrendo em regiões onde o vetor esteja presente.

**O grupo publica também nesta terça-feira (24) um segundo estudo, que identifica
a predominância do vírus em áreas rurais e florestais, sendo os casos de transmissão
de mosquitos urbanos, como o Aedes aegypti, uma minoria. **

Neste trabalho os autores afirmam que as estratégias de controle vetorial focadas
em mosquitos urbanos não são suficientes para conter a transmissão da doença, exigindo
esforços adicionais de vigilância epidemiológica em áreas de contato com mata degradada.

“Ao identificar quem já foi infectado, conseguimos prever com maior precisão quais
populações permanecem em risco para futuros surtos”, afirma o professor Allyson 
Guimarães Costa, da Universidade Federal do Amazonas e do Hemoam.

[_Agência Brasil, site parceiro do Notícias Verdadeiras._ ](https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/subnotificados-casos-de-oropouche-atingem-2-da-populacao-brasileira)
