# Irene Santos, fotógrafa da memória negra, morre aos 78 anos

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- Published: 2026-10-29T00:26:01-03:00
- Author: Redação

A fotógrafa, pesquisadora e historiadora Irene de Figueiredo Santos morreu nesta
terça-feira (27), aos 78 anos, em Porto Alegre. Nascida na capital gaúcha em 1947,
ela construiu uma carreira dedicada a registrar a presença negra na cidade e a transformar
a fotografia em instrumento de pesquisa histórica.

Irene se formou em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
e se definia como fotógrafa autodidata. Ao longo da vida, combinou a câmera com 
a investigação em arquivos, criando uma linguagem própria, atenta às pessoas, às
expressões culturais e à memória coletiva. Também atuou nas artes cênicas, na música
e nas artes visuais.

## Uma historiadora com câmera

O trabalho mais conhecido de Irene é o livro “Negro em Preto e Branco — História
Fotográfica da População Negra de Porto Alegre”, publicado em 2005. A obra reúne
fotografias e relatos que ajudam a reconstruir a presença de famílias negras na 
formação social e cultural da capital.

No ano seguinte, o livro recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura, na categoria 
Literatura Especial. Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, em 2021, Irene disse
que a obra comprovava a existência de negros honestos e trabalhadores em uma cidade
racista.

“A fotografia analógica garantiu a heroica resistência de uma ‘população invisível’
e que corria o risco de ser eliminada dos anais da História da cidade”, afirmou 
na ocasião.

## Outros trabalhos e legado

Irene também assinou os livros “Colonos e Quilombolas — Memórias das Colônias Africanas
de Porto Alegre” e o webdocumentário “Outros Carnavais — Memória do Carnaval de 
Rua de Porto Alegre, 1930-1969”, além de exposições e peças de teatro. Neste ano,
seu trabalho voltou a ser destacado na exposição “A Força da Memória”, no Museu 
da UFRGS.

“Irene foi uma referência na fotografia do Rio Grande do Sul. Publicou os livros‘
Negro em Preto e Branco’, ‘Quilombos e Quilombolas’ e ‘Carnaval’. Perspicaz, e deixa
um legado significativo”, afirmou a jornalista Jeanice Ramos, do Núcleo de Jornalistas
Afro-brasileiros do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul.

As informações foram confirmadas na [reportagem da Agência Brasil](https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-10/morre-irene-santos-fotografa-e-pesquisadora-da-memoria-negra)
sobre a morte da fotógrafa, publicada nesta quarta-feira (28).
