# Eleição nos EUA nesta terça define futuro de Trump no poder

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- Published: 2026-11-01T17:31:35-03:00
- Author: Redação

Os cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos (EUA) vão às urnas na próxima
terça-feira (3) para eleger todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes,
além de 35 das 100 cadeiras do Senado. Os estadunidenses ainda devem escolher governadores
em 36 dos 50 estados do país. O resultado define o futuro do presidente Donald Trump
na Casa Branca porque os democratas podem conquistar maioria no Congresso, o que
teria repercussões políticas também para o Brasil.

Isso porque a oposição tem questionado a Casa Branca sobre supostas interferências
de Trump no Brasil, como o financiamento dos EUA para campanhas contra o Supremo
Tribunal Federal (STF).

Atualmente, as duas casas legislativas contam com uma apertada maioria de republicanos,
o que concede maior liberdade para Trump implementar suas políticas. Pesquisas de
opinião têm indicado uma vitória dos democratas devido, entre outros motivos, ao
aumento do custo de vida da população. A guerra iniciada por Trump contra o Irã 
é apontada como uma das causas da inflação já que aumentou o preço dos combustíveis
após as restrições a navegação no Estreito de Ormuz.

## Desaprovação em alta e promessa de pagamento

Ao longo dos últimos meses, a desaprovação do presidente dos EUA vem crescendo e
alcançou 61%, contra 36% de aprovação, segundo uma média de pesquisas calculada 
pelo jornal The New York Times. Nesse cenário desfavorável, Trump prometeu pagar
US$ 5 mil para cada adulto do país caso os republicanos vençam as eleições da Câmara
e do Senado e tem viajado o país nos últimos dias em campanha para os aliados.

Paulo Abraão é diretor-executivo da Brazil Office Alliance – organização que conecta
pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA – e avalia que o resultado da eleição
vai definir o controle que o Legislativo terá sobre o presidente Trump. “Se a oposição
conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo
e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante
para a fiscalização”, explicou à Agência Brasil.

Abraão acrescentou que o controle do Senado dá poder para confirmar ou rejeitar 
a nomeação de autoridades e juízes. “Se os republicanos mantiverem as duas Casas,
Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda, embora isso
não elimine divergências dentro do próprio partido”, completou o diretor da Brazil
Office Alliance.

Sobre o processo eleitoral, Trump vem lançando uma série de dúvidas relacionadas
à segurança do sistema nos EUA. Em 2020, ao perder para Joe Biden, Trump acusou 
a eleição de ter sido fraudada, mas não apresentou provas. Na última semana, quando
questionado por jornalistas, Trump disse que respeitaria o resultado “se forem eleições
honestas”.

## Política externa e expectativa de mudança

Há uma expectativa de que uma vitória democrata promova alguma mudança na política
externa dos EUA, em especial, em relação à guerra no Irã. O especialista Paulo Abraão
pondera que a Presidência dos EUA tem uma ampla margem de ação na política externa,
ainda que sem maioria no Parlamento. “Um Congresso mais independente pode aumentar
os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia”,
destacou.

## Repercussão para o Brasil

O enfraquecimento político de Donald Trump, caso perca maioria em uma ou nas duas
Casas do Congresso, deve repercutir também nas relações dos EUA com o Brasil, marcada
pelo tarifaço e atritos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Abraão avalia
que os democratas podem ampliar a investigação sobre a atuação da família Bolsonaro
nos EUA, expondo suas conexões com o governo Trump.

“Parlamentares democratas já vêm cobrando explicações [sobre supostas interferências
de Trump no Brasil]. O ponto central seria esclarecer se instrumentos do Estado 
americano foram utilizados para favorecer um grupo político estrangeiro, por quais
razões e sob quais fundamentos”, argumentou. Ele aponta que uma investigação parlamentar
poderia apurar a denúncia contra a Meta, dona do Facebook, Instagram e Whatsapp,
de favorecer o candidato Flávio Bolsonaro durante a eleição no Brasil. A redução
do alcance nas redes das contas ligadas ao candidato Lula foi justificada pela big
tech como “problemas técnicos”.

“Uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas
em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas.
Isso não é automático, depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar 
resistência e disputas judiciais”, finalizou o também professor de direito Paulo
Abraão. Nas últimas semanas, congressistas democratas têm questionado a Casa Branca,
por meio de cartas, desde a ação da Meta nas eleições brasileiras, até a decisão
de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Na última quinta-feira (30), os democratas cobraram explicações sobre o envolvimento
da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, apesar da 
Justiça brasileira ter proibido a saída do parlamentar. Flávio responde processos
por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

Fonte: [Agência Brasil](https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-10/eleicao-nos-estados-unidos-define-futuro-de-trump-nesta-terca-feira).
