# Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda desafios de Haddad

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- Published: 2026-04-05T15:17:00-03:00
- Author: Redação

**Há quinze dias no cargo, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, assumiu o 
comando da equipe econômica em meio a um cenário de forte pressão sobre as contas
públicas. **

Segundo especialistas ouvidos pela **Agência Brasil**, ele assume o comando da área
econômica combinando desafios fiscais estruturais herdados da gestão de Fernando
Haddad com demandas emergenciais típicas de um ano eleitoral.

**Logo nos primeiros dias à frente da pasta, Durigan anunciou um bloqueio de R$ 
1,6 bilhão no Orçamento de 2026, valor considerado modesto por analistas diante 
da necessidade de cumprir o arcabouço fiscal.**

O bloqueio foi necessário para acomodar o avanço de despesas obrigatórias dentro
do limite de crescimento real de gastos, fixado em até 2,5% acima da inflação. Oficialmente,
a equipe econômica projeta um superávit primário de apenas R$ 3,5 bilhões. No entanto,
ao incluir precatórios e gastos fora do arcabouço fiscal, o próprio governo prevê
déficit primário de R$ 59,8 bilhões.

## Pressão por gastos

Ao mesmo tempo em que anuncia o bloqueio de gastos, **o ministro articula medidas
de impacto imediato, como a criação de um subsídio ao diesel importado e um pacote
ainda em elaboração para reduzir a inadimplência das famílias.**

Entre as primeiras iniciativas, Durigan confirmou a edição de uma medida provisória
que prevê subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com custo estimado
de R$ 3 bilhões, dividido entre União e estados.

Originalmente prevista para a semana passada, a medida provisória (MP) de subvenção
ao diesel sai nesta semana porque o ministro esperava o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva retornar das recentes viagens pelo Brasil. O governo busca segurar a alta
dos combustíveis em meio à elevação dos preços internacionais do petróleo.

## Inadimplência

**O novo ministro também trabalha na formulação de políticas para enfrentar o avanço
da inadimplência, que já compromete mais de 27% da renda mensal das famílias brasileiras,
segundo dados recentes do Banco Central.**

Em tese, o pacote não gerará custo para as contas públicas se envolver apenas medidas
de renegociação de crédito, mas pode criar despesas caso o governo decida ampliar
os subsídios ao crédito.

## Taxa das blusinhas

Outra medida que pode pressionar os gastos do governo seria uma possível redução,
durante a campanha eleitoral, da taxa das blusinhas, como ficou conhecida a alíquota
em 20% de compras do exterior de até US$ 50.

No ano passado, o governo arrecadou R$ 5 bilhões com o tributo, ajudando a cumprir
a meta fiscal – ao desconsiderar os precatórios.

## Imposto de Renda

Paralelamente, o novo ministro da Fazenda propôs mudanças estruturais, como a automatização
da declaração do Imposto de Renda, numa tentativa de simplificar o sistema tributário.

Essa medida, no entanto, não diminui as receitas do governo, porque envolve apenas
a redução da burocracia e a evolução da atual declaração prepreenchida do Imposto
de Renda.

## Desafios de credibilidade

Os desafios enfrentados por Durigan refletem, em grande medida, limitações já observadas
na gestão anterior.** Para a doutora em Economia Virene Matesco, professora da Fundação
Getulio Vargas (FGV), o principal problema está na dificuldade que o governo tem
de cumprir as próprias metas fiscais.**

“O governo atual não consegue cumprir as metas que ele mesmo estabeleceu no arcabouço”,
afirmou, ao analisar o desempenho recente das contas públicas.

Segundo Matesco, a fragilidade do arcabouço fiscal e o crescimento da dívida pública,
que saltou para 78,7% do PIB, comprometem a confiança na política econômica e limitam
a capacidade de ação do ministro.

**Ela também aponta que o avanço dos gastos obrigatórios e a rigidez orçamentária
reduzem o espaço para investimentos, criando um cenário de baixo crescimento.** “
Existe uma crise de credibilidade fiscal”, alertou, destacando que o país enfrenta
um desequilíbrio entre despesas com juros e investimentos públicos.

## Baixo crescimento

Já o economista André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF),
avalia que parte das dificuldades atuais decorre de metas fiscais excessivamente
ambiciosas definidas no início da gestão Haddad.

Originalmente, o governo tinha estabelecido meta de déficit zero em 2024 e superávit
primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e de 1% do PIB em 2026, 
também com a margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. O resultado primário
representa o déficit ou superávit nas contas do governo sem os juros da dívida pública.

Na LDO de 2025, o governo prolongou a meta de déficit zero para 2025 e reduziu para
0,25% do PIB a meta de superávit para 2026 . Na época, a mudança das metas gerou
mal-estar no marcado financeiro.

“O mercado entenderia se o governo estabelecesse meta de pequeno déficit em 2025,
zerando o resultado primário em 2026. O importante era que houvesse um compromisso
em reduzir o rombo”, afirmou.

## Pouco investimento

Para Nassif, o aperto fiscal acabou limitando investimentos públicos, que seguem
em patamar baixo, cerca de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), insuficiente para
sustentar um crescimento econômico mais robusto.

Ele também ressalta que o país segue preso a um ciclo de crescimento irregular. “
O país não está entregando crescimento econômico. Continuamos no ‘_stop and go_’”,
disse.

Segundo o professor, com medidas emergenciais já em andamento e margem fiscal estreita,
o novo ministro terá como principal desafio reconstruir a credibilidade das contas
públicas sem comprometer o crescimento econômico. A equação permanece em aberto 
desde a gestão anterior.

[_Agência Brasil, site parceiro do Notícias Verdadeiras._ ](https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/durigan-assume-fazenda-sob-pressao-fiscal-e-herda-desafios-de-haddad)
