# Convívio com animais e ações educativas ensinam a combater violência

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- Published: 2026-02-03T07:48:00-03:00
- Author: Redação

A violência contra animais gerou um debate no país nas últimas semanas, a partir
do espancamento do cão comunitário Orelha por quatro adolescentes em Florianópolis(
SC). A punição dos autores e a banalização da violência estão no centro das discussões,
assim como a prevenção, a ressocialização e as medidas educativas. 

Enquanto os quatro jovens de Praia Brava cederam ao impulso da violência e não tiveram
empatia com Orelha e Caramelo, além de se envolverem em outras ações que estão sendo
apuradas pela Polícia Civil, perspectivas como a da Teoria do Elo tentam explicar
o ocorrido. **A Agência Brasil procurou organizações não governamentais (ONGs) voltadas
ao apoio a animais abandonados ou vítimas de violência e a prefeitura de São Paulo,
responsável por um dos maiores programas públicos de adoção e educação ambiental.**
O objetivo é saber como o estímulo ao contato e os cuidados podem prevenir e interromper
ciclos de violência.

 ⌊São Paulo (SP), 30/01/2026 - Adoção de Pets  na  Casa Adote na Vila Madalena 
em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um Amigo.  Foto: Paulo
Pinto/Agência Brasil⌉ ⌊São Paulo (SP), 30/01/2026 - Adoção de Pets  na  Casa Adote
na Vila Madalena em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um 
Amigo.  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil⌉

###### Adoção de pets na Casa Adote na Vila Madalena em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um Amigo – Foto **Paulo Pinto/Agência Brasil**

**O instituto Ampara Animal, que atua há 15 anos promovendo ações de cuidado, discussões
públicas e apoio a abrigos e centros de adoção em todo o país, começará, nos próximos
dias, a campanha “Quebre o Elo”, que chama a atenção para a gravidade da violência**.
A organização parte do pressuposto de que a violência com animais pode ser reflexo
de outras às quais o praticante está exposto, sejam direcionadas a si ou a pessoas
de seu convívio. Além disso, é um importante indicador da possibilidade de outras
violências, principalmente contra grupos mais vulneráveis, como crianças, mulheres
e idosos. 

> “Temos que tentar ensinar saindo de uma visão e uma educação antropocêntricas.
> A Ampara sempre entendeu que a educação é o caminho para transformar em melhor
> a vida dos animais, principalmente quando voltada a crianças e adolescentes. Chamamos
> de “educação humanitária em bem-estar animal” e entendemos como uma solução para
> criar uma sociedade mais empática, com menos violência e com maior respeito”, 
> explicou Rosângela Gerbara, diretora de relações institucionais da Ampara. 

**Para Rosângela, essa aproximação tem que ser feita de forma gradual, sempre ensinando
a criança a ser gentil com os animais, a respeitar o tempo e o comportamento de 
cada espécie, de preferência levando-a para ver os animais na natureza ou em locais
que têm relação maior com o ambiente e modos de vida naturais.** O desenvolvimento
da empatia, defende, requer a interação com animais e ajuda a criança a entender
os sentimentos e as necessidades do outro, o respeito e a reduzir comportamentos
de violência e intolerância. 

Quebrar a perspectiva do animal como um objeto ou um produto é outro passo importante.
Viviane Pancheri é voluntária há 15 anos na ONG Toca Segura, que cuida de cerca 
de 400 animais em um abrigo no Guará II, no Distrito Federal (DF), e em uma unidade
maior na cidade do Novo Gama, em Goiás. O Toca desenvolveu por anos uma iniciativa
direta em escolas do DF.

> **“É importante que as crianças tenham a percepção de que os animais sentem medo,
> abandono, felicidade, enfim, que são sencientes”, explica.**

No abrigo, recebem famílias, que ajudam como voluntárias, pontualmente ou com maior
periodicidade. Lá realizam o que chama de educação empática, mostrando ao outro 
como o cuidado e a atenção são importantes. A partir daí, trabalham valores e a 
forma como as crianças percebem o cuidado, já no convívio com os cães da Toca.

 ⌊São Paulo (SP), 30/01/2026 - Adoção de Pets  na  Casa Adote na Vila Madalena 
em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um Amigo.  Foto: Paulo
Pinto/Agência Brasil⌉ ⌊São Paulo (SP), 30/01/2026 - Adoção de Pets  na  Casa Adote
na Vila Madalena em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um 
Amigo.  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil⌉

###### Aproximação com animais é importante no combate à violência – Foto **Paulo Pinto/Agência Brasil**

Essa interação é sempre pensada com bastante cuidado, tanto para acolher a criança
quanto para não expor os animais a estresse ou alguma violência.

> “Lidamos com animais que já passaram por situações de abandono e de violência.
> Alguns passaram privações, outros têm um pouco mais de dificuldade, são mais arredios”,
> afirma Viviane.

**Para promover esses momentos de troca, uma das estratégias que adotaram foi promover
pequenos eventos. Entre eles estão os domingos de passeio.** Voluntários pegam um
animal e o levam para um passeio. Rápido, breve, mas importante, pois acostuma os
animais com a presença humana, os torna mais dóceis e isso ajuda na busca por famílias
para adoção. Crianças que atuam nesses eventos também desenvolvem a interação com
os animais.

> “Um caso que sempre gosto de contar é o de uma menina que começou a nos ajudar
> aos 15 anos. Ela tinha medo de cachorro e nos procurou para perder esse medo. 
> Não demorou muito e já conseguia fazer uma série de tarefas de cuidado. Hoje é
> veterinária”, conta, emocionada.

**Os voluntários também apoiam as feirinhas de troca, mantendo os animais limpos
e hidratados**. No Toca, essa função é realizada principalmente por adolescentes.
Esse tipo de ação leva a acostumar com o trato comum e a importância que a rotina
tem para os animais.

> “É parecido com o cuidado com os animais comunitários. O exemplo é importante.
> Se tem um vizinho ou parente que tem um animal, é recomendado levar a criança 
> para conhecê-lo. Ela aprende muito com o exemplo”.

Segundo Viviane, para as crianças maiores e adolescentes existe a questão da responsabilidade.“
É trazer esses animais para perto, mostrar a importância de ter esse cuidado, de
forma supervisionada. Não deixar a criança solta, dizendo olha, isso é errado, isso
se faz desse jeito. A supervisão na construção da responsabilidade é muito importante,
também para os cães comunitários. Alimentar, por exemplo, os animais na rua é uma
ótima maneira. Vê-la oferecer, fazer boas ações e elogiar isso, o que leva à formação
de um ser humano melhor”, diz.

## Programas públicos 

**Com abrigos públicos, a prefeitura de São Paulo tem hoje um centro de adoções 
com centenas de animais, principalmente cães e gatos**. O foco do programa municipal
de adoções é a promoção da guarda responsável e da educação ambiental. O espaço 
recebe grupos escolares, de até 30 crianças, com mediação do contato com os animais
e o objetivo de criar consciência nos pequenos, que agem como multiplicadores em
seus lares.

 ⌊São Paulo (SP), 30/01/2026 - Adoção de Pets  na  Casa Adote na Vila Madalena 
em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um Amigo.  Foto: Paulo
Pinto/Agência Brasil⌉ ⌊São Paulo (SP), 30/01/2026 - Adoção de Pets  na  Casa Adote
na Vila Madalena em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um 
Amigo.  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil⌉

###### Ações educativas são estratégias para combater violência contra animais, dizem organizações não governamentais – Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

> “A criança é um agente multiplicador, leva para sua família e sua comunidade informações
> e o entendimento de como é importante respeitar os animais”, explica Telma Tavares,
> da Secretaria Municipal de Saúde, gestora do espaço.

**O foco da estratégia é usar a sensibilização, durante as visitas, como porta de
entrada para as orientações. O projeto, chamado Superguardiões, começou em 2019 
e funciona por agendamento.** Em 2025 foram mais de 1.900 visitantes, parte deles
idosa. A esse programa de portas abertas, se soma outro de visitação dedicado aos
pequenos que estão em alfabetização. O programa Leituras leva os pequenos a lerem
para os cães e gatos do Centro Municipal de Adoção.

Segundo Telma, parte das escolas aproveitou e incluiu a iniciativa no processo de
letramento: as crianças não apenas liam histórias para os animais, mas passaram 
a conhecer sua trajetória e a escrever sobre os bichinhos.

> “São ações que facilitam a adoção posterior. Os animais vão se tornando mais dóceis,
> se acostumando com as visitas. Claro que tomamos o cuidado de selecionar aqueles
> que não são agressivos, mas esse contato ajuda, inclusive, a conscientizar e educar
> para práticas sustentáveis”, afirma Telma.

 ⌊São Paulo (SP), 30/01/2026 - Adoção de Pets  na  Casa Adote na Vila Madalena 
em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um Amigo.  Foto: Paulo
Pinto/Agência Brasil⌉ ⌊São Paulo (SP), 30/01/2026 - Adoção de Pets  na  Casa Adote
na Vila Madalena em parceria com o Instituto Ampara Animal e a ONG Encontrei um 
Amigo.  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil⌉

###### Sensibilização é porta de entrada para combater violência contra animais – Foto **Paulo Pinto/Agência Brasil**

**O processo de adoção tem algumas regras de ouro. Essas são algumas, sugeridas 
por Telma e Viviane:**

considerar se todos os membros da família estão de acordo e conscientes das responsabilidades
que terão com o animal;

pensar de forma realista se a família tem condições de cuidar. Não apenas em relação
à questão material, mas também a ter tempo e condições de adaptar a rotina;

refletir se o planejamento de vida da família se adequa à adoção;

planejar, para evitar abandono e manter cuidados de forma adequada.

[_Agência Brasil, site parceiro do Notícias Verdadeiras._ ](https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-02/convivio-com-animais-e-acoes-educativas-ensinam-combater-violencia)
